Evolução do desembolso do BNDES

R$ bilhões
Grafico com evolução do desempenho operacional do BNDES

Os desembolsos do BNDES fecharam o ano de 2011 em R$ 139,7 bilhões. O resultado ficou dentro das expectativas do Banco e permitiu que a instituição continuasse contribuindo para a expansão dos investimentos na economia brasileira, com ênfase para o setor de infraestrutura.

Um dos principais destaques do desempenho do ano passado foi o fato de o BNDES ter registrado o maior número de operações de sua história. Foram 896 mil financiamentos, uma alta de 47% em relação a 2010, ampliando o acesso ao crédito do Banco, especialmente para as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs).

O total liberado para MPMEs, de R$ 49,8 bilhões, foi recorde, e a proporção dos recursos destinados às empresas de menor porte também fechou o ano no maior patamar da história, de 36% sobre os desembolsos totais. O Cartão BNDES foi um dos fatores que impulsionaram este crescimento. As liberações do Cartão atingiram R$ 7,6 bilhões, com aumento de 76% em relação a 2010.

A descentralização geográfica do crédito também foi destaque. As regiões Norte e Nordeste responderam por 22% dos desembolsos totais do Banco, uma alta em relação aos 17% de 2010. A participação das duas regiões no desembolso do BNDES está em linha com sua contribuição ao PIB brasileiro.

Apesar de representarem queda de 17% em relação aos desembolsos de 2010, de R$ 168,4 bilhões, as liberações ficaram em patamar semelhante às realizadas naquele ano. Subtraindo-se os R$ 24,7 bilhões aplicados pelo BNDES na capitalização da Petrobras, os desembolsos de 2010 atingiram R$ 143,6 bilhões.

A operação excepcional feita em 2010 com a empresa também teve impacto estatístico sobre os outros indicadores do BNDES, na comparação com 2011. As consultas por financiamentos do Banco encerraram o ano em nível elevado, de R$ 195,2 bilhões, embora tenham recuado 24% na comparação com 2010. As aprovações ficaram em R$ 164,5 bilhões, o que representou uma queda de 18%.

Estratégia – A atuação do BNDES em 2011 ajudou o País a manter a expansão dos investimentos acima do crescimento do PIB, permitindo que o Brasil crescesse sem a ocorrência de gargalos e pressões inflacionárias.

Ao mesmo tempo, o desempenho refletiu as medidas adotadas no ano passado, quando o Banco alterou as taxas de juros do Programa BNDES de Sustentação do Investimento (BNDES PSI), reduziu seu nível de participação sobre o total dos financiamentos e suprimiu linhas de giro que haviam sido criadas no momento mais agudo da crise (pré-embarque para bens de consumo e PEC). Com isso, o BNDES busca ampliar o espaço para que cresça a atuação do setor privado na concessão de crédito de longo prazo.

Setores – O maior destaque de 2011 foram os repasses do Banco para os grandes projetos estruturantes. O setor de infraestrutura liderou os desembolsos, com R$ 56,1 bilhões ou 40% do total liberado. Os montantes mais significativos foram para transporte rodoviário, com R$ 26 bilhões, e energia elétrica, com R$ 15,9 bilhões.

Para a indústria foram liberados R$ 43,8 bilhões (participação de 32%), com ênfase em material de transporte (R$ 8,2 bilhões), química e petroquímica (R$ 7,1 bilhões), alimentos e bebidas (R$ 6,8 bilhões) e indústria mecânica (R$ 4,5 bilhões). Para comércio e serviços, o BNDES destinou R$ 29,2 bilhões (21% do total) e à agropecuária, R$ 9,8 bilhões (7%).

Os financiamentos de máquinas e equipamentos nas linhas do BNDES PSI contribuíram fortemente para os investimentos em todos os setores apoiados pelo Banco. Em 2011, os desembolsos do PSI — programa que tem prazo de vigência até dezembro próximo — somaram R$ 42,5 bilhões.

Evolução do lucro líquido do BNDES

R$ milhões
Grafico com evolução do desempenho operacional do BNDES

 

O BNDES registrou um lucro líquido de R$ 7,9 bilhões no período de janeiro a setembro de 2011. O resultado equivale a um aumento de R$ 1,8 bilhão (29,5%) em relação ao obtido no mesmo período de 2010, de R$ 6,1 bilhões. Os principais fatores que contribuíram para o desempenho do BNDES em 2011 foram a receita com reversão de provisão para risco de crédito, de R$ 1,6 bilhão, e o crescimento em R$ 1,3 bilhão do resultado com participações societárias, 32,1% maior em relação a setembro de 2010.

A receita com reversão de provisão para risco de crédito em 2011 foi resultado da melhora da qualidade da carteira do Banco e das recuperações de créditos, considerados como prejuízos em exercícios anteriores, no valor de R$ 710 milhões.

O crescimento do resultado com participações societárias em 2011 decorreu principalmente de: (i) acréscimo de R$ 1,4 bilhão (alta de 88,2%) na receita com dividendos e juros sobre o capital próprio, que totalizou R$ 3 bilhões no acumulado de nove meses de 2011; e (ii) acréscimo de R$ 1,4 bilhão do resultado de equivalência patrimonial, que passou de uma perda de R$ 190 milhões em 2010 para um ganho de R$ 1,22 bilhão em 2011.

O BNDES atingiu um desempenho financeiro compatível com as suas atividades de banco de desenvolvimento, alcançando uma carteira de crédito de cerca de R$ 403 bilhões em 30 de setembro de 2011. O produto bruto de intermediação financeira nos nove primeiros meses de 2011 totalizou R$ 4,1 bilhões, apresentando pequena redução (5,9%) em relação ao mesmo período de 2010.

Esse resultado decorre tanto da diminuição das taxas de juros cobradas nas operações de crédito do BNDES quanto pelo aumento dos investimentos em renda variável.

Posição financeira – O patrimônio líquido do sistema BNDES totalizou R$ 56,4 bilhões, correspondendo a um patrimônio de referência (PR) de R$ 94,1 bilhões, superior aos R$ 83,1 bilhões obtidos em 31 de dezembro de 2010. O crescimento do PR resultou de um aumento de capital de R$ 6,4 bilhões, realizado no primeiro trimestre do ano.

O patrimônio de referência é a base utilizada pelo Banco Central para definir limites prudenciais que devem ser seguidos por todas as instituições financeiras. Quanto maior for o patrimônio de referência do BNDES, maior sua capacidade de conceder financiamento.

O índice de adequação de capital (Índice da Basiléia) registrado pelo sistema BNDES foi de 20,5%, uma situação confortável em relação aos 11% exigidos pelo Banco Central. O Índice de Basiléia é o indicador que mede a relação entre o capital da instituição e o volume de recursos emprestado, refletindo, portanto, o nível de solvência de um banco.

A inadimplência do BNDES representou 0,12% da carteira total. A qualidade da carteira do Banco é demonstrada pelo seu perfil de risco de crédito: 99,2% do total dos créditos concedidos estavam classificados entre os níveis de risco AA e C em 30 de setembro de 2011, bem abaixo da média do Sistema Financeiro Nacional.

A qualidade de crédito é resultado da consistência da política operacional do BNDES, na qual os financiamentos concedidos são objeto de contínuo acompanhamento e demandam garantias que cubram a posição devedora ao longo da vida dos contratos.

Os ativos totais do Sistema BNDES somaram R$ 586 bilhões em 30 de setembro de 2011, apresentando crescimento de R$ 37,3 bilhões (6,8% em relação a 31 de dezembro de 2010).

 

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