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Desempenho

Evolução do desembolso do BNDES

R$ bilhões
Grafico com evolução do desempenho operacional do BNDES

Os desembolsos do BNDES atingiram R$ 72,6 bilhões nos primeiros sete meses de 2010, mostrando um ritmo forte na atividade do Banco, mas com ligeira moderação em relação ao mesmo período do ano passado. 

Em relação aos sete primeiros meses de 2009, as liberações registram uma leve queda, de 3%. A variação é explicada em grande parte pelo efeito do empréstimo excepcional de R$ 25 bilhões concedido em 2009 à Petrobras, cujos desembolsos se encerraram em junho.

Com isso, reverteu-se em julho o comportamento que vinha sendo observado ao longo do primeiro semestre do ano, quando os desembolsos, que encerraram a primeira metade de 2010 em R$ 59,3 bilhões, registraram alta de 38% em relação ao período de janeiro a junho do ano passado.

Com relação às aprovações, houve expansão de 14% na comparação com os sete primeiros meses do ano passado, com o indicador atingindo R$ 99,5 bilhões. As consultas ficaram estáveis em R$ 134,1 bilhões, e os enquadramentos, no valor de R$ 104,5 bilhões, caíram 5%.

O Programa de Sustentação do Investimento (BNDES PSI), que completou um ano de vigência em julho, tem sido um dos principais destaques da atuação do BNDES. O programa já tem uma carteira de R$ 82,4 bilhões, sendo mais de 70% desse total (R$ 59,4 bilhões) destinado à aquisição de máquinas e equipamentos, acelerando os investimentos.

A maior participação nos desembolsos do Banco em janeiro/julho coube ao setor de Infraestrutura, com R$ 28,2 bilhões (39% do total liberado pelo Banco). Em seguida, veio a Indústria, com 33% e R$ 23,8 bilhões em liberações.

O segmento de Comércio e Serviços, com R$ 14,8 bilhões desembolsados, foi o que teve maior incremento relativo ao longo do ano: crescimento de 125% nos desembolsos e participação de 20% nas liberações globais. O PSI, com grande alcance também na aquisição de máquinas e equipamentos pelo setor terciário, explica os resultados.

Os desembolsos à Agropecuária somaram R$ 5,6 bilhões e cresceram 52% em relação ao mesmo período do ano passado, com participação de 8% sobre o total.

Na Infraestrutura, o destaque foi o segmento de transporte rodoviário, cujos desembolsos somaram R$ 15,1 bilhões, uma alta de 137% na comparação com janeiro/julho do ano passado. O bom desempenho deve ser mantido nos próximos meses, pois as aprovações de financiamentos a transporte rodoviário atingiram patamar elevado de R$ 18,8 bilhões nos primeiros sete meses do ano (alta de 191%). Aí estão contemplados empréstimos à aquisição de ônibus e caminhões, itens também apoiados pelo PSI.

Na Indústria, os maiores destaques nos desembolsos foram observados no segmento Têxtil e Vestuário (alta de 418%), Mecânica (132%), Alimentos e Bebidas (69%) e Material de Transporte (65%). O comportamento se repete nas aprovações de novos financiamentos.

Já os desembolsos ao segmento de Química e Petroquímica caíram 85%, atingindo R$ 3,5 bilhões em janeiro/julho último. A queda é explicada mais uma vez pelo fim dos desembolsos dos empréstimos à Petrobras, classificados neste segmento industrial. Seguindo a mesma lógica, as aprovações à Química e Petroquímica, no total de R$ 6 bilhões, recuaram 73% no período.

Doze meses - Na comparação dos últimos 12 meses encerrados em julho, os desembolsos do BNDES cresceram 11% e chegaram a R$ 134,9 bilhões. As aprovações acumularam R$ 182,2 bilhões (alta de 21%), os enquadramentos ficaram estáveis em R$ 185 bilhões e as consultas, de R$ 225,4 bilhões, aumentaram 9%. Mais uma vez, os resultados refletem, em grande parte, o sucesso do PSI.

Do total de financiamentos liberados pelo BNDES entre agosto de 2009 e julho de 2010, R$ 48,3 bilhões foram para a Indústria (queda de 19%) e R$ 52,3 bilhões para a Infraestrutura (alta de 23%). Comércio e Serviços, no entanto, foi o segmento que mais cresceu em termos relativos, com R$ 25,6 bilhões em desembolsos (alta de 108% na comparação com R$ 12,4 bilhões registrados nos 12 meses anteriores). À Agropecuária, o BNDES desembolsou R$ 8,8 bilhões no período (expansão de 49%).

Na Indústria, os desembolsos à Química e Petroquímica caíram 72% no período de 12 meses, refletindo a elevada base de comparação resultante do efeito do empréstimo à Petrobras. Alimentos e bebidas (R$ 11,2 bilhões desembolsados), material de transportes (R$ 10,7 bilhões) e mecânica (R$ 5,6 bilhões) e têxtil e vestuário (R$ 1,5 bilhão) foram destaque de crescimento nas liberações em doze meses.

Na Infraestrutura, o maior desembolso ocorreu no segmento de transporte rodoviário, com R$ 22,4 bilhões (alta de 65,5%).  

Evolução do lucro líquido do BNDES

R$ milhões
Grafico com evolução do desempenho operacional do BNDES

O BNDES registrou um lucro líquido de R$ 3,6 bilhões no primeiro semestre de 2010. O resultado equivale a um aumento de 408,6% em relação ao obtido no mesmo período do ano anterior, de R$ 702 milhões.

O principal fator que contribuiu para o desempenho do BNDES foi a receita com reversão para risco de crédito, de R$ 1,9 bilhão, decorrente da recuperação de créditos, no valor de R$ 2 bilhões. Nos primeiros seis meses de 2009, o BNDES havia contabilizado uma despesa de risco de crédito de R$ 1 bilhão.

Tal crescimento ocorreu, basicamente, em função da comparação dos resultados com uma base anterior deprimida, em decorrência de medidas preventivas adotadas pelo Banco no primeiro semestre de 2009, em função do acirramento da crise financeira internacional. Ou seja, trata-se de um fator não recorrente.

O BNDES conseguiu atingir um desempenho financeiro compatível às suas atividades de banco de desenvolvimento, alcançando uma carteira de crédito de cerca de R$ 317 bilhões. Com isso, tornou-se responsável por 20,5% da oferta nacional em junho de 2010, com crescimento de 11,7% no total de ativos de crédito em comparação ao final do ano anterior.

A retomada da trajetória de crescimento tem como base o aumento dos investimentos e da produção industrial voltada para o mercado doméstico. Para tanto, o BNDES atua, fundamentalmente, no financiamento a investimentos produtivos e de infraestrutura, com tempo de maturação bem superiores aos realizados pelo mercado. Em 30 de junho, 82% do saldo de operações de crédito eram de longo prazo.

Posição financeira - O patrimônio líquido do sistema BNDES totalizou R$ 30,6 bilhões, correspondendo a um patrimônio de referência de R$ 58,2 bilhões, superior aos R$ 54 bilhões obtidos em 31 de dezembro de 2009. O patrimônio de referência é a base utilizada pelo Banco Central para definir limites prudenciais que devem ser seguidos por todas as instituições financeiras. Quanto maior for o patrimônio de referência do BNDES, maior sua capacidade de conceder financiamento.

O índice de adequação de capital (Índice da Basiléia) registrado pelo sistema BNDES foi de 17,1%, uma situação confortável em relação aos 11% exigidos pelo Banco Central.

A inadimplência do BNDES, historicamente baixa, manteve-se estável em 0,20% da carteira total. A crise financeira internacional não afetou a qualidade da carteira do Banco, que tem 97,9% do total dos créditos concedidos classificados entre os níveis de risco AA e C, em 30 de junho de 2010, bem abaixo da média do Sistema Financeiro Nacional.

O resultado com participações societárias atingiu R$ 2 bilhões no primeiro semestre de 2010, superior ao obtido no mesmo período de 2009, de R$ 1,3 bilhão. Este aumento foi possível em função de melhora nas condições de mercado em 2010, quando comparado com o primeiro semestre do ano anterior, o que possibilitou a realização de operações de giro da carteira de participações societárias.

O bom desempenho reflete, também, a qualidade da carteira da BNDESPAR, empresa de participações do BNDES, e das decisões de investimentos do Banco.

Os ativos totais do Sistema BNDES somaram R$ 472,4 bilhões no primeiro semestre de 2010, apresentando crescimento de 22,2% em relação ao mesmo período de 2009.

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